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2 de Abril de 2020

Páscoa, ressurreição e reflexão: julgamentos injustos ainda existem

Tatiane Ferreira da Motta Furquim, Advogado
há 11 meses

Uma das histórias mais emblemáticas tem como ator principal a pessoa mais conhecida do mundo: Jesus Cristo. E sua fama se deu por ter sido preso, acusado e condenado a maior pena capital da época devido sua subversão. Ele era considerado uma ameaça pelos poderosos à ordem social. Pregava ideologias carregadas de humildade, sabedoria, verdades e amor ao próximo. Foi este seu crime.

Jesus passou por dois julgamentos. O primeiro deles foi o religioso, perante uma assembleia judia e as acusações eram: blasfêmia, profanar no sábado e ser um falso profeta. O outro julgamento foi politico, frente Roma e Pôncio Pilatos, seu governador, e as acusações foram: sedição, declarar-se rei e incitar o povo a não pagar impostos a César. Pilatos, não encontrando nenhuma culpa em Jesus, para não ter de tomar uma posição, promoveu um julgamento democrático: "ouviu a voz do povo".

Naquela noite, todo o conhecimento que os juízes possuíam sobre legalidades processuais fora desprezado em face de suas vinganças e da ira dos poderosos. Jesus foi preso sem culpa, acusado sem quaisquer indícios, julgado sem testemunhas legais e condenado a uma pena exagerada ao crime pelo qual era acusado. Jesus era inocente.

Não muito diferente do que ocorre nos dias atuais, são inúmeros os casos sem provas robustas e presos sem condenação. Nos deparamos, ainda, com diversos julgamentos midiáticos que, frequentemente, vêm arruinando reputações para só depois conferir a existência de culpa ou de inocência, e cada vez mais manipula o povo sob o enfoque errado.

O Estado e seu poder sempre fez vítimas ao longo da história. São inúmeras batalhas de cidadãos desarmados contra injustiças estatais, e os que tentaram, de alguma forma, lutar em favor da justiça social tornaram-se mártires. Foram perseguidos e/ou mortos por conhecedores da lei ou pelo povo. Não é preciso citar nomes. O cenário é sempre o mesmo, em que uma justiça de olhos vendados não demonstra representar mais imparcialidade, mas a manipulação por indecentes propósitos deste mesmo poder.

Um Estado, incapaz de cumprir com seu encargo de proporcionar à população segurança, agora fraqueja também em segurança jurídica, facilitando ainda mais a proliferação de injustiças, assim como ocorreu no julgamento de Cristo. Amar ao próximo é crime, e sua punição severa.

A reflexão que sugiro nesta Páscoa: Que papel estamos exercendo frente a esses desdobramentos? Estamos perpetuando os clamores de condenação a algum inocente?

Isaías (53:5): "Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados".

Feliz Páscoa!

20 Comentários

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Que texto! Parabéns pela ideia e pela forma de escrita, Dra.! continuar lendo

Obrigada, dra. Ótima Páscoa! continuar lendo

Excelente artigo doutora. Infelizmente hoje condena-se mesmo antes de qualquer manifestação da justiça, e esta, infelizmente, também vem condenando apenas para atender algum clamor popular. continuar lendo

Obrigada, Dr., e continuaremos lutando para que esse cenário mude. Ótima Páscoa! continuar lendo

Boa reflexão! continuar lendo

Obrigada, dr. Ótima Páscoa! continuar lendo

Muito boa essa mensagem para reflexão, parabéns.

Tenha uma ótima Páscoa, cheia de 'GRAÇA' (favor imerecido) continuar lendo